quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Mostra de Cinema em SP - Nathan, o Sábio, tem acompanhamento de Orquestra Sinfônica
Neste domingo, dia 27, às 20h, a Mostra faz uma sessão ao ar livre no Parque Ibirapuera do filme mudo alemão Nathan, o Sábio, de Manfred Noa. A projeção será na área externa do Auditório Ibirapuera, com acompanhamento musical ao vivo da Orquestra Petrobras Sinfônica, com regência do maestro Carlos Prazeres. A trilha foi composta pelo compositor libanês Rabih Abou-Khalil.
Com um olhar questionador à intolerância religiosa, o filme trazia consigo um alusivo slogan – “o filme da humanidade” – na época de seu lançamento, em 1922, em Berlim. O sucesso de público interferiu pouco no destino que se impôs ao filme nos anos seguintes: o lançamento em Munique, cidade sede do Partido Nacional Socialista, foi censurado. O longa foi acusado de fazer “propaganda do judaísmo” e não voltou a ser exibido na Alemanha após a ascensão de Hitler.
Por cerca de sete décadas, Nathan, o Sábio foi considerado perdido, até que uma cópia foi encontrada em Moscou em 1996. É uma versão restaurada de tal cópia reminiscente que será exibida no dia 27 – dando sequência às projeções históricas, no mesmo parque, do clássico Metrópolis em 2010 na 34ª Mostra e de Nosferatu em 2012 na 36ª Mostra.
O filme é uma adaptação da peça homônima do poeta e dramaturgo alemão Gotthorld Ephraim Lessing, escrita no século 18 como resposta à censura que sofreu após publicar um ensaio do filósofo Samuel Reimarus crítico às religiões cristãs. Tem como pano de fundo a guerra entre cristãos, judeus e muçulmanos durante as Cruzadas na Jerusalém do século 12, onde o conflito é personificado em Nathan, o judeu (Werner Krauss, de O Gabinete do Dr. Caligari); no cavaleiro templário e no Sultão Saladino, o vértice muçulmano do empasse.
Como na trama original, o filme termina em um apelo ao respeito entre fés distintas, mensagem pouco confortável na Alemanha de então que o condenou ao esquecimento.
A restauração
Oito décadas depois de seu lançamento, o Museu de Cinema de Munique redescobriu uma única cópia de Nathan, o Sábio na coleção do Gosfilmofond (órgão arquivístico russo), em Moscou, sob o título “A Tempestade de Jerusalém”. O órgão havia feito uma reprodução em preto e branco – que estava deteriorada, sem o título original, e com capítulos inseridos arbitrariamente – do negativo original em nitrato, que não existe mais. Em 1997, o Film Museum München adquiriu uma cópia que foi relegendada e corrigida conforme arquivos de censura alemães, e colorida de acordo com as convenções dos anos 1920.
Criada em 1972 pelo maestro Armando Prazeres e patrocinada há 25 anos pela Petrobras, a Orquestra Petrobras Sinfônica se caracteriza pela luta em prol da democratização do acesso à música clássica. A orquestra é hoje formada por 80 instrumentistas, e é a única do país gerida pelos próprios músicos, seguindo o modelo da Filarmônica de Viena. Em seu currículo, reúne apresentações temporadas no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Criou a série Metrônomo, na qual oferece concertos didáticos em escolas e projetos sociais.
Para a sessão especial de NATHAN, O SÁBIO, a Orquestra será regida pelo maestro Carlos Prazeres, um dos mais requisitados maestros brasileiros de sua geração. Regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia, ele é também regente convidado principal da Petrobras Sinfônica, onde foi assistente do maestro Isaac Karabtchevsky até 2012.
Nathan, o Sábio
Domingo, dia 27 de outubro, às 20h
Área externa do Auditório Ibirapuera
(Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque do Ibirapuera – Portão 3)
Entrada aberta e gratuita
Assinar:
Postagens (Atom)