![]() |
Carlos Muñoz desbanca favoritos e consegue vaga no WCT da Califórnia. Foto: ASP |
Carlos Muñoz é um dos nomes em ascensão durante o último ano no surf mundial. Depois de ter terminado o ano de 2013 no top 50 do WQS, fruto de alguns resultados surpreendentes, o jovem talento costa-riquenho esteve no centro das atenções na semana passada, depois de vencer os Hurley Pro Trials, um evento online que reuniu alguns dos maiores talentos mundiais.
Graças ao triunfo, Muñoz ganhou um wildcard para o Hurley Pro Trestles, oitava etapa do World Tour. Mas a ambição do costa-riquenho não termina por aqui, ele que tem como objetivo chegar à final do evento norte-americano. Ele despreza a falta de experiência, pois garante que está habituado a enfrentar grandes nomes no WQS. Em de cerca de um mês veremos se Carlitos tem capacidade para voar ainda mais alto do que aquilo que já tem feito.
Mas voltemos à vitória no campeonato online mais famoso do mundo do surf. Carlos Muñoz começou por bater o jovem australiano Matt Banting, atual líder do ranking do WQS, para depois eliminar o grande candidato ao título, e depois o jovem norte-americano Cam Richards nas quartas-de-final. Richards não era favorito pelo seu surf, mas sim pela capacidade de mobilizar votantes nas redes sociais, que havia ficado demonstrada em 2013, quando quase eliminou Dane Reynolds nas semifinais destes trials.
Depois de bater Jack Freestone, o bicampeão mundial Júnior, a história parecia encaminhada para, desta vez, acabar em final feliz, para desespero dos mais ferrenhos adeptos do surf mundial. "Moleque mais famoso do jardim de infância" foi uma das muitas formas que os meios especialistas encontraram para ironizar com a habilidade de Cam nas redes sociais. Contudo, algo de surpreendente viria a acontecer no embate com Carlitos.
A meio do dia de votações, Richards estava na frente, mas depois aconteceu uma inacreditável recuperação, tendo Muñoz terminado com mais do dobro dos votos do americano. A partir daí foi um passeio no parque. Nas semifinais despachou o ex-top do WCT Pat Gudauskas e na final outro ex-WCT, o havaiano Dustry Payne, sempre com resultados na casa dos 15 mil votos – bem distante dos seus adversários, que nem metade conseguiram.
Mas qual seria o segredo do costa-riquenho? Dominava melhor as redes sociais que Richards? Também. Mas não somente... É certo que existiu uma enorme mobilização a favor de Carlitos, mas que saiu bem para fora da esfera do surf. Com um país inteiro a apoiá-lo e a seguir a sua carreira, até a estrela da seleção de futebol da Costa Rica no Mundial 2014 apelou ao voto em Carlos Muñoz. Joel Campbell joga no Arsenal de Inglaterra, é uma das novas sensações do futebol mundial e tem "só" mais de 1 milhão de seguidores no Facebook, por exemplo.
Mas não há ninguém melhor para explicar este fenômeno que o próprio costa-riquenho, ele que o fez recentemente numa entrevista à ASP. "É uma longa história", disse. "No meu país apostam muito no surf, por isso as pessoas me seguem em todos os eventos que eu vou do WQS e os jornais fazem a cobertura dos eventos. Eles querem saber os meus resultados nos campeonatos, seguem as notícias no rádio, por todo o lado. A Costa Rica é um país muito pequeno, com cerca de 4 milhões de habitantes. O que sai nas notícias é visto por todas as pessoas. O povo também adora o surf e tem me seguido nos últimos três anos. Por isso quando tive a oportunidade de participar no evento todos votaram em mim", explicou.
"Foi uma grande surpresa quando vi o perfil do Facebook do Joel Campbell. Ele postou o link do evento e pediu para votarem em mim. Houve também um jogador da Suíça que fez isso... Por isso muitas pessoas votaram em mim e fico feliz por ter sido assim. Pessoas dos Estados Unidos votaram em mim, do Hawaii, da Europa, de todo os lados. Sinto-me muito agradecido a todos. Vou tentar fazer o meu melhor e prometo dar 200 por cento", frisou Carlitos, atualmente no lugar 53 do ranking do WQS.
Curiosamente, nem foi Carlitos que teve a ideia de enviar os vídeos de candidatura para o campeonato. "Isto começou por ser uma ideia dos meus amigos da Gallo Pinto, uma TV online que faz vídeos sobre a Costa Rica. Primeiro perguntaram se podiam e depois enviaram os vídeos. Nós somos amigos e estamos sempre filmando coisas de surf... Aconteceu tudo de uma forma muita rápida e ainda nem sei bem o que dizer. Estou surpreso e feliz".
Pressão por enfrentar os melhores do mundo? Nada disso. "Medo? Não tenho medos. Lowers é uma onda perfeita. Tenho muita confiança no meu surf e acredito muito nele. Só espero pegar as melhores ondas e surfar muito. Com todo o meu país a me apoiar, espero chegar à final. Eu vou lá para me divertir, para surfar, para tentar competir de forma inteligente e fazer alguns heats. Já competi frente a alguns surfistas do CT e já os venci algumas vezes, por isso estou bastante motivado", garante.
A Costa Rica é uma das novas potências que começam a surgir no surf mundial. Carlos Muñoz está para aquele país da América Central um pouco como Tiago Pires está para os portugueses. Mas se por aqui também começamos a ter novos talentos, como Vasco Ribeiro ou Frederico Morais, enganam-se os que pensam que Carlitos é o único talento costa-riquenho. Recentemente o WQS foi invadido por um jovem de nome Noe Mar McGonagle, ele também com um surf bastante progressivo como o de Muñoz.
"Tive a sorte de ter o patrocínio da Volcom, da Super e da Red Bull desde pequeno e por isso fui conseguindo competir fora do país. Foi isso que fez a diferença entre eu e os outros".
A ideia de que existe imenso talentos entre os surfistas locais é partilhada por Carlitos, que garante que eles só precisam de mais apoio para vingaram internacionalmente.
"A Costa Rica não tem muita história no surf., mas agora todos seguem o esporte. O apoio para os surfistas ainda não é muito. Tive sorte de ter o patrocínio da Volcom, da Super e da Red Bull desde pequeno e por isso fui conseguindo competir fora do país. Foi isso que fez a diferença entre mim e os outros. Mas penso que nos próximos anos a Costa Rica vai ter uma nova geração de surfistas muito talentosos. A única coisa que precisamos é de apoio, das empresas de nosso país e também da indústria do surf", assegura um humilde Carlos Muñoz, de quem nos vamos ter de habituar a falar - e muito - no futuro.
Fonte Surf Portugal