![]() |
Depois de tantos anos, enfim podemos dar a notícia mais aguardada na história do surf brasileiro: Gabriel Medina, campeão mundial do ASP World Tour 2014! |
Enfim, vejo que no Facebook já escreveram tudo a respeito do garoto de Maresias. Não preciso ficar aqui repetindo os detalhes das baterias. E a imprensa mundial tratou de aplaudir. E a imprensa brasileira se viu obrigada a pesquisar um pouco para entender o que está acontecendo.
Brincadeira o que aconteceu ontem, muito emocionante acompanhar a vitória do Gabriel Medina. A transmissão deste Pipe Masters foi simplesmente impecável e era como se a gente estivesse na boca do tubo ou no melhor lugar da praia para acompanhar o dia histórico.
A presença de Peter Mel como comentarista dentro do mar foi a sacada mais legal do webcast. Além de ser um cara engraçado, o big rider não fica de oba-oba nem de puxa-saco dos amigos. Ele elogiou o Medina o tempo todo e parecia estar muito satisfeito por documentar a primeira vitória de um sul-americano no ranking da ASP.
Mas, o Peter Mel não tem nada a ver com a nossa história, um lance que vem lá dos Kahunas do Arpex e que se espalhou de norte a sul pelo Brasil nos anos 70. E que agora chega ao ápice justamente com este garoto sensacional de Maresias.
Absolutamente merecido este título. Um cara que ganha de virada do local em Snapper; dá uma dura no Slater em Teahupoo; vence em Fiji e é vice em Pipe, simplesmente não tem pra ninguém. Parabéns também para a família, que levou o garoto ao topo sem depender de governo nenhum para subir na vida. Até porque se fossem depender do governo era capaz de o garoto não ter nem para o da inscrição.
Agora vai aparecer muito parente, muito amigo de última hora, um monte de pai da criança. Mas, como bom filho de Maresias, uma onda pesada e tubular do litoral paulista, ele não tem que dar recibo pra ninguém, a não ser à família, a Rip Curl e aos grandes surfistas brasileiros que deixam sua contribuição aos garotos como ele, de Ricardo Bocão a Roberto Valério; de Pepê Lopes a Dadá Figueiredo; de Cisco Araña a Picuruta Salazar; de Fabinho Gouveia a Teco Padaratz; de Luiz Neguinho a Tinguinha Lima; de Fabinho Silva a Jojó de Olivença; de Carlos Burle a Danilo Couto; de Pedro Muller a Cauli Rodrigues e por aí vai, pois são muitas influências e muitas referências para contar uma história que ainda tem muito o que ser contada e desvendada.
Este foi apenas o melhor capítulo. Valeu, Medina, obrigado por nos dar a oportunidade de testemunhar estas cenas que a gente só via com os gringos nos papéis principais.
Agora, sem a pressão de ser campeão mundial, o moleque vai surfar ainda melhor. Kelly Slater é e ainda será por muitos anos o melhor da história. Isso nem se discute. Mas, está na cara que ele já não tem o mesmo vigor, o mesmo apetite e aquela loucura toda de ganhar e ainda romper com todos os limites.
Enfim, foi muito legal ver o Medina como o primeiro campeão mundial brasileiro. Agora eu quero ver o Mineiro campeão. É muito bom ter um campeão mundial de surf. Sonhar com a galera quebrando tudo também é muito bom. Agora vai!